Epilepsia e os Estados Convulsivos






Crise convulsiva, crise epiléptica, convulsão ou estado convulsivo


É uma descarga elétrica cerebral desorganizada que se propaga para todas as regiões do cérebro, levando a uma alteração de toda atividade cerebral;
Pode se manifestar como uma alteração comportamental, na qual o indivíduo pode falar coisas sem sentido, por movimentos estereotipados de um membro, ou mesmo através de episódios nos quais o paciente parece ficar “fora do ar”.


Epilepsia
  • É uma doença neurológica crônica;
  • Caracteriza-se por crises convulsivas recorrentes;
  • Afeta cerca de 1% da população mundial;
  • Pode ser progressiva, no que tange à freqüência e à gravidade das convulsões, levando a alterações cognitivas;
  • Dois terços dos indivíduos que apresentam uma crise convulsiva jamais a apresentam novamente e um terço dos indivíduos continuarão a apresentar crises convulsivas recorrentes (epilepsia).
Tipos

o Crise Parcial (Focal):
  • 60% dos casos;
  • Decorrente de traumas, AVC, tumores.
o Crise Difusa (Generalizadas):
  • 40% dos casos;
  • Fatores genéticos envolvidos.
Crises Parciais:
  • Simples: Determinada pela região cortical acometida (duração média de 20-60s). Há preservação da consciência; observa-se “déjà vu” e “jamais vu”;
  • Complexa: Há alteração da consciência (30s – 2 minutos): observam-se automatismos como abotoar camisa, pentear os cabelos, choros, comportamento agressivo;
  • Secundariamente generalizadas (tônico-clônica): Convulsão simples e ou complexa obrigatoriamente ocorre antes da evolução para uma convulsão tônico-clônica. Às vezes, a convulsão simples e ou complexa é tão rápida que nem se nota. Haverá perda da consciência seguida por contrações mantidas (tônicas) seguidas de relaxamentos (clônicos) – duração média: 1-2 minutos.
Crises Generalizadas:
  • Ausência típica (também chamada de pequeno mal): crise caracterizada por perda súbita da consciência, interrupção das atividades em andamento e parada do olhar.
  • Usualmente o paciente pára repentinamente de falar, comer ou andar e fica estático;
  • Após alguns segundos retorna a suas atividades sem notar que teve crise. O EEG habitualmente mostra complexos espícula onda de 3 Hz simétricos e bilaterais;
  • Ausência atípica: neste tipo de ausência a perda e a volta da consciência costumam ocorrer de maneira menos abrupta. O paciente pode também apresentar esboço de movimentos durante a crise. O EEG costuma ser mais variado e mostra complexos espícula onda irregulares ou outras atividades paroxísticas, normalmente de padrão assimétrico;
  • Crise mioclônica: crises caracterizadas por contrações súbitas, tipo choque, acometendo extremidades ou grupos musculares. Ocorrem mais freqüentemente a noite, no início do sono, ou pela manhã após o acordar. O paciente costuma deixar cair objetos das mãos durante as crises. Nem toda mioclonia é relacionada a epilepsia. O EEG mostra complexos espículas ondas ou ondas agudas;
  • Crise clônica: crise onde os membros se batem de maneira ritmada, com amplitude mais ou menos constante e envolvem os dois lados do corpo. O paciente pode apresentar intensa salivação. Em geral este tipo de crise faz parte de um quadro onde o paciente inicia com uma crise clônica, evoluiu para uma crise tônica e volta a apresentar movimentos clônicos. Outras vezes a crise se inicia com uma crise tônica e evolui para movimentos clônicos;
  • Crise tônica: estas crises se caracterizam por contração lenta dos músculos, em alguns casos pode haver extensão dos membros superiores. Um grito costuma preceder o período em que o paciente pára de respirar, os olhos ficam parados, ingurgitados e podem se desviar junto com a cabeça para um dos lados, os lábios ficam azulados . O paciente costuma cair e com freqüência se machuca pois cai rígido ao solo sem se proteger Crise tônico-clônica -TCG- (também chamada de grande mal): também chamada de crise tipo grande mal, ela é dos quadros mais dramáticos em medicina. Neste tipo de crise o paciente inicia com uma crise tônica e evolui para uma crise clônica;
  • Crise atônica: como o próprio nome diz, esta crise inicia com perda súbita do tônus de todos músculos do corpo levando a imediata queda do paciente ao solo. Ao contrário da queda associada as crises tônicas, nesta crise o paciente cai flácido aumentando as chances de bater com o rosto na mesa ou mesmo no chão. Alguns pacientes que apresentam este tipo de crise com freqüência usam capacetes para evitar ferimentos graves.
Estado de Mal Epiléptico:
  • Crises recorrentes sem recuperação da consciência entre elas;
  • É uma emergência médica pois pode ameaçar a vida ou causar dano cerebral;
  • Ação imediata deve ser desencadeada para acesso a tratamento médico adequado.
Pseudocrises (ou crises psicogênicas)
  • São muito comuns e podem ocorrer em pessoas com ou sem epilepsia;
  • Os ataques são desencadeados, consciente ou inconscientemente, para obter maiores cuidados e atenção;
  • As crises começam com respiração ofegante e são desencadeadas por estresse mental, ansiedade ou dor;
  • Com a respiração acelerada ocorrem modificações na química sanguínea (alcalose) e isso pode causar sintomas muito parecidos com as crises epilépticas: formigamentos na face, mãos e pés, enrijecimentos, tremores, etc.
Na Anamnese observar:
  • Tipo de crise;
  • Início;
  • Freqüência;
  • Presença de fatores precipitantes;
  • Horário;
  • Tratamentos realizados;
  • Relação com menstruação ou gestação;
  • Relação com febre, drogas ou alterações metabólicas.
Fique atento aos sinais e sintomas, pois muitas vezes são bastante similares ou, se somam na apresentação do quadro.


Postar um comentário

Copyright © OLHAR FISIO. Designed by OddThemes