PACIENTE COM SÍNDROME DE GUILLAIN-BARRÉ: ESTUDO DE CASO - PARTE I


Nós iremos, com detalhes, abordar um caso de uma paciente com Diagnóstico de Síndrome de Guillain- Barré, veremos os aspectos, sinais e sintomas por ela apresentados e os meios de tratamento utilizados pela fisioterapia, além claro, da equipe multiprofissional. Dividimos esse caso em partes, ou seja, em três partes para melhor compreensão e uma leitura menos cansativa.

Vamos lá? Boa leitura...

Uma mulher de 31 anos de idade foi internada com uma história de três dias de fraqueza crescente nos membros inferiores e parestesias (dormência) nas mãos e nos pés, depois de infecção da parte superior do sistema respiratório. Chegou-se a um diagnóstico provisório de Síndrome de Guillain-Barré (SGB). Os problemas encontrados foram:

Deficiências:

1. Motora generalizada;
2. Deterioração da função respiratória;
3. Dor;
4. Sensibilidade distal reduzida;
5. Distúrbios autônomos;

Incapacidades:

6. Dificuldades para deglutir (engolir alimentos);
7. Dependência para as atividades de vida diária;
8. Incapacidade de se comunicar;
9. Ansiedade.

Com relação ao tempo, pacientes com SGB apresentam maior depressão de suas funções na primeiras 16 semanas. No caso da paciente apresentada, isto ocorreu nos primeiros 12 dias.

Foi elaborado um plano multiprofissional para abordar os problemas mencionados, que foi modificado conforme novos problemas surgiam e outros tornavam-se inativos. Em todos os estágios, a paciente foi incentivada a participar totalmente do planejamento. 

Os objetivos realistas a curto prazo com significância funcional foram realizados para motivar a paciente e dar estrutura para o processo de resolução de problemas. Essa abordagem possibilitou que a reabilitação continuasse por 24 horas com apoio das enfermeiras.

A conduta de cada um dos problemas é apresentada a seguir:

Observe, iremos descrever a conduta com relação a deficiência motora generalizada, e de como esta deficiência se relaciona diretamente com a deterioração da função respiratória; dificuldades para deglutir; dependências nas AVD´s; incapacidade para se comunicar eficazmente.

1 - Deficiência motora generalizada:

A deficiência motora foi a causa primária dos problemas 2, 6, 7 e 8. Quando a fraqueza era profunda, especialmente no ponto de maior depressão (redução), apenas os movimentos passivos eram possíveis. Os alongamentos foram incluídos para mobilizar os tecidos nervosos, assim como os músculos e tecidos de sustentação. As enfermeiras e o fisioterapeuta posicionaram a paciente para evitar encurtamentos dos músculos e aliviar as áreas de pressão usando almofadas em forma de cunha.

Ao mesmo tempo, o terapeuta ocupacional e o fisioterapeuta fizeram talas para os pés na posição plantígrada e para as mãos, em flexão nas articulações metacarpofalângicas, com abdução do polegar.

Conforme a força muscular começou a ser recuperada, foram realizados movimentos ativos assistidos pelo fisioterapeuta. O incentivo concentrou-se em sentir o movimento e desfrutá-lo o máximo possível. Quando se identificavam os desequilíbrios da força que retornava os músculos ao redor das articulações, o fisioterapeuta incentivava o paciente a relaxar o grupo dominante e facilitava o grupo mais fraco.

Assim que ocorreu alguma recuperação nos músculos do tronco (3 semana após o início), enquanto ainda ventilado, a paciente trabalhou o controle do tronco na posição sentada, para melhorar a resistência dos músculos posturais e o alinhamento. Além da manutenção da posição ortostática. Mais tarde, foram utilizadas pranchas para apoiar os membros inferiores em extensão. Para complementar, implantou-se um esquema de exercícios de fortalecimento com baixa resistência para os músculos dos membros superiores e inferiores.

Conforme o paciente ganhava controle do tronco e da pelve, a ênfase foi para a melhora da força e da coordenação dos membros inferiores. O controle do joelho foi aprimorado com a paciente em pé sobre uma mesa, que continuou a praticar o controle do membro inferior de apoio de peso ao dar o passo. A demonstração de melhoras objetivas na força durante as três primeiras semanas, quando a paciente não podia realizar nenhuma atividade, foi encorajadora.

Referências:
Stokes, MCSP. Neurologia para Fisioterapeutas. Editora Premier. São Paulo.

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