O LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO

O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença inflamatória crônica do tecido conjuntivo que pode envolver as articulações, rins, membranas mucosas e paredes dos vasos sanguíneos. 

Resumidamente:

Problemas nas articulações, sistema nervoso, sangue, pele, rins, trato gastrointestinal, e outros tecidos e órgãos podem desenvolver-se;
No hemograma há presença de anticorpos auto-imunes quando testados;
Pessoas com lúpus ativo muitas vezes precisam de corticoides ou outros medicamentos que suprimem o sistema imunológico;
Cerca de 70 a 90% das pessoas com lúpus são mulheres jovens no final da adolescência até aos 30 anos, mas as crianças (principalmente meninas) e os homens e mulheres mais velhos também podem ser afetados;

A causa exata do surgimento do lúpus não é conhecida. Ocasionalmente, o uso de certos medicamentos (utilizados para tratar doenças do coração, ou a tuberculose) pode causar lúpus. Nestes casos o lúpus geralmente desaparece após a suspensão da medicação.

O número e a variedade de anticorpos que podem surgir no lúpus são maiores que os de qualquer outro transtorno. Estes anticorpos, que são o problema fisiológico subjacente no lúpus, juntamente com outros fatores desconhecidos, podem determinar como os sintomas se desenvolvem. No entanto, os níveis destes anticorpos nem sempre são proporcionais aos sintomas da pessoa.

O Lúpus eritematoso discoide é uma forma de lúpus que afeta somente a pele. Nesta condição, ocorrem erupções cutâneas levando por vezes à formação de cicatrizes e perda de cabelo nas áreas afetadas. Em 10% destes doentes ocorrem as manifestações típicas do lúpus, como a afeção das articulações, rins e cérebro podem ocorrer, mas são geralmente leves.

O Lúpus tende a ser crônico, com períodos de sintomatologia ativa e outros de remissão, que podem durar anos. Os períodos ativos da doença podem ser desencadeados pela exposição ao sol, infecção, cirurgia ou gravidez. Estas crises ocorrem com menos frequência após a menopausa.

Sinais e sintomas/ Diagnóstico

Os sintomas variam muito de pessoa para pessoa. Estes podem desenvolver-se gradualmente durante meses ou anos com episódios ativos e de remissão. Nas fases ativas da doença os sintomas podem começar subitamente com febre, semelhante a uma súbita infecção (aguda) grave, mal-estar, e qualquer um dos sintomas abaixo:

  • Dores de cabeça tipo enxaqueca, epilepsia e transtornos mentais graves (psicoses) podem ser as primeiras anormalidades que são notados;
  • Problemas articulares: Os sintomas articulares, desde dores intermitentes nas articulações (artralgia) a inflamação repentina de várias articulações, ocorrem em cerca de 90% dos doentes e pode existir durante anos antes que outros sintomas apareçam. Na doença crônica, marcada deformidade articular pode ocorrer (artropatia de Jaccoud), mas é raro. No entanto, a inflamação das articulações são geralmente intermitentes e normalmente não danificam as articulações;
  • Problemas de pele e das membranas mucosas: erupções cutâneas incluem uma vermelhidão em forma de borboleta em todo o nariz e bochechas; protuberâncias ou manchas finas e vermelhas na face e áreas expostas ao sol do pescoço, peito e nos cotovelos. Úlceras geralmente ocorrem em mucosas, em particular no céu-da-boca, no interior das bochechas, nas gengivas e no interior do nariz. Perda de cabelo (alopecia) é comum durante as fases ativas. Sensibilidade à luz solar (fotossensibilidade) ocorre na maioria das pessoas com lúpus, especialmente as pessoas de pele clara;
  • Problemas pulmonares: É comum que pessoas com lúpus sintam dor ao respirar profundamente. A dor é devido à inflamação recorrente do tecido que envolve os pulmões (pleurisia);
  • Problemas do Coração: As pessoas com lúpus podem ter dor no peito devido a inflamação do saco que envolve o coração (pericardite). Prolemas mais graves, mas raros, são a inflamação das paredes das artérias coronárias (vasculite da artéria coronária), que pode levar à angina e a inflamação do músculo do coração com formação de cicatrizes (miocardite fibrosante), que pode levar à insuficiência cardíaca;
  • Problemas nos gânglios linfáticos: O inchaço dos gânglios linfáticos é comum, especialmente entre crianças, jovens e negros de todas as idades. O aumento do baço (esplenomegalia) ocorre em cerca de 10% das pessoas. Poderá sentir náuseas, diarreia e desconforto abdominal vago. A ocorrência destes sintomas pode ser o prenúncio de uma crise;
  • Problemas do Sistema Nervoso: pode causar dores de cabeça, comprometimento leve do pensamento, mudanças de personalidade, derrame cerebral, epilepsia, transtornos mentais graves (psicose), ou uma condição na qual uma série de mudanças físicas podem ocorrer no cérebro, resultando em doenças como a demência. Os nervos do corpo ou da medula espinhal também podem ser danificados;
  • Problemas renais: O envolvimento renal pode ser menor e sem sintomas ou pode ser implacavelmente progressivo e fatal. O resultado mais comum dessa deterioração é a proteína na urina, que leva ao inchaço (edema) nas pernas;
  • Problemas no Sangue: O número de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas pode diminuir. Plaquetas ajudam na coagulação do sangue, portanto, se esses números diminuem muito, aumenta o risco de hemorragias;
  • Problemas do trato gastrointestinal: O comprometimento do suprimento de sangue a várias partes do trato gastrointestinal pode resultar em dor abdominal, danos ao fígado ou do pâncreas (pancreatite), ou um bloqueio ou rasgo (perfuração) do trato gastrointestinal;
  • Problemas na Gravidez: Mulheres grávidas têm um risco maior do que o normal de aborto e nado-morto.
O médico irá suspeitar de lúpus eritematoso sistêmico principalmente com base nos sintomas do paciente e nos achados durante um exame físico cuidadoso, especialmente se se tratar de uma mulher jovem. No entanto,devido à grande variedade de sintomas, distinguir o lúpus de outras doenças semelhantes pode ser difícil. Uma série de exames laboratoriais serão pedidos até se poder confirmar o diagnóstico.

Tratamento 

O tratamento depende dos órgãos afetados, da sua gravidade e da fase em que a doença está. O objectivo do tratamento é diminuir a atividade do lúpus, ou seja, diminuir a inflamação, que por sua vez, deve evitar mais danos.

Anti-inflamatórios não-esteroides: podem ser benéficos em estados iniciais da doença, ou quando esta não está numa fase ativa. Geralmente são eficazes a aliviar a dor nas articulações. Loções da proteção solar (com fator de proteção solar de pelo menos 30) deve ser utilizado, especialmente por pessoas que têm erupções cutâneas.

Corticosteroides: indicados para as fases ativas ou avançadas da doença, fármacos como a prednisona poderão ser benéficos para controlar a inflamação. A dose e a duração do tratamento dependem dos órgãos afetados. A combinação de um corticosteroide e um imunossupressor é mais frequentemente usada para a doença renal grave ou doença do sistema nervoso e para a vasculite.

Uma vez que a inflamação inicial é controlada, o médico determina a dose que suprime a inflamação de forma mais eficaz a longo prazo. Geralmente, a dose de prednisona é diminuída gradualmente quando os sintomas estão controlados e os resultados dos testes de laboratório mostram melhoria. Recidivas ou surtos podem ocorrer durante este processo. Para a maioria das pessoas que têm lúpus, a dose de prednisona pode eventualmente ser diminuída ou ocasionalmente interrompida.

Os procedimentos cirúrgicos e a gravidez podem ser mais complicados para estes doentes e requerem estreita supervisão médica. Abortos e fases de inflamação aguda durante a gestação são comuns. A gravidez deve ser evitada até a doença estar numa fase de remissão.

Os doentes de Lúpus devem ser monitorizados, entre outras, para o surgimento de osteoporose (que pode ocorrer devido ao uso crônico de corticosteroides) e a doença arterial coronária.

Exercícios terapêuticos para Lúpus eritematoso sistêmico

Os seguintes exercícios poderão ser prescritos durante o tratamento do Lúpus, numa fase remissiva da doença. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.

Correção postural da cervical e ombros:

Em pé ou sentado, rode os ombros para trás e para baixo, enterre o queixo e imagine que tem uma linha a puxar-lhe o topo da cabeça. Mantenha esta posição durante 20 segundos.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.

Mobilização do membro inferior:

Deitado, com o fundo das costas apoiado no chão. Tente chegar o joelho o mais próximo do peito possível. Desça lentamente a perna para a posição inicial.
Repita entre 15 e 30 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.

Fortalecimento dos extensores do quadril:

Deitado, com os braços ao longo do corpo, eleve a pelve até coxas e costas ficarem alinhadas no mesmo plano. Retorne lentamente à posição inicial. Repita entre 8 e 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.

Estes exercícios devem ser aconselhados por um Fisioterapeuta.

Por: João Maia - Fisioterapeuta da ESS-VS
Via: fisioinforma

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