INTERVENÇÃO FISIOTERAPÊUTICA NA OSTEOARTRITE DE JOELHO: RELATO DE CASO


INTRODUÇÃO

A articulação do joelho é a maior articulação do corpo, sendo classificada como sinovial em dobradiça, gínglimo (apesar de possuir um componente rotacional acessório), partindo do 0º de extensão até os 130º de flexão, aproximadamente. 

O joelho é uma articulação de carga, de grande amplitude de movimento (ADM), situada na porção central do membro inferior. Ela inclui três superfícies articulares, que formam duas articulações distintas: a patelofemoral e a tibiofemoral; contidas dentro de uma simples cápsula.


Das inúmeras patologias que acometem a articulação do joelho, a osteoartrite (OA) ocupa lugar de destaque, sendo ela uma das causas mais comuns de dor e incapacidade no mundo ocidental, afetando mais de 80% das pessoas com mais de 65 anos. Ela é a segunda maior causa de incapacidade de longa duração, atrás das doenças cardiovasculares, limitando a capacidade do portador de erguer-se de uma cadeira, ficar de pé de modo confortável, caminhar e usar escadas.


De acordo com Oliveira (2007) essa doença causa incapacidade laborativa em 15% da população adulta no mundo e, no Brasil, ela está em terceiro lugar entre as causas de pagamento de seguros da Previdência Social, representando 7,5% de todos os afastamentos de trabalho. É a segunda doença entre as que justificam auxílio inicial e auxílio-doença e a quarta a determinar as aposentadorias, representando 6,2% do total.


Segundo Pozzi e Konkewicz (2003) a OA é uma lesão em espelho das superfícies articulares, com abrasão da cartilagem hialina e desgaste progressivo do osso subcondral, sendo essa lesão  primeiramente localizada no ponto de hiperpressão máxima.


Definições à parte, a OA é considerada uma afecção crônica, degenerativa e progressiva (na maioria dos casos) que afeta as articulações sinoviais, configurando-se não apenas como uma entidade nosológica única, mas um grupo de condições que têm como ponto comum a destruição mecânica de uma articulação. 

Existem várias classificações para a OA. A mais aceita no meio internacional divide a patologia em dois subtipos: osteoartrites primária e secundária:


  • A OA primária, também denominada generalizada ou idiopática, não possui causa óbvia. Afeta várias articulações simultaneamente, com maior incidência no sexo feminino, a partir da quinta década de vida, no período pós-menopausa. De etiologia desconhecida, acredita-se existir um fator genético importante ligado ao seu surgimento. Ela é geralmente do tipo simétrica, acometendo, paralelamente, ambos hemicorpos. 
  • A OA secundária surge como consequência de outras condições, tais como: trauma após lesão grave, resultando em fratura das superfícies articulares; microtraumas de repetição; sobrecarga; hiperfrouxidão ligamentar; luxação; infecção; perda da vascularização; deformidades; obesidade; hemofilia; acromegalia; hipertireoidismo; articulações de Charcot; entre outros. De forma interessante, parece haver sobreposição entre a OA primária e a OAsecundária.


A evolução de uma degeneração articular, seja ela de causa idiopática ou secundária a trauma ou doença inflamatória, leva à desestruturação do aparelho osteoligamentar e ao surgimento de deformidade.


RELATO DE CASO

O paciente E.C.S., 73 anos, 46 kg, 1,46 m de altura, sexo feminino, dona de casa, residente em Campina Grande – PB. Na avaliação inicial, em 03/10/2011, a mesma relatou ter “artrite nos joelhos”, queixando-se de dor constante e dificuldade para fletir os joelhos.

Em sua história, apresentava dores de forma esporádicas nas articulações após esforços físicos, julgando ser natural. Seu quadro álgico se agravou progressivamente, após a realização de uma Histerectomia Total, em 1977, quando este foi diagnosticado como Artrite. Neste período de agravamento dos sintomas, fez uso de analgésico (composto por diclofenaco sódico, paracetamol, carisoprodol e cafeína) por dois meses. Atualmente faz uso de Sulfato de Glicosamina.

Radiografia convencional realizada em 10/02/2010 revelou redução dos espaços articulares tibiofemoral e patelofemoral em ambos os joelhos, em especial no D, onde também se nota pinçamento articular e osteófitos discretos no fêmur, tíbia e patela.

No que concerne à função, os principais problemas enfrentados pela paciente são subir degraus (o que quase sempre desencadeia as crises álgicas, associadas com edema) abaixar-se e flexionar o tronco, o que prejudica sua locomoção e seus afazeres domésticos.

MÉTODOS UTILIZADOS


Esta pesquisa trata-se de um relato de caso teórico-prático, de caráter quanti-qualitativo, tendo como abrangências as áreas de Ortopedia e Reumatologia. A paciente realizou dez sessões de fisioterapia com duração aproximada de 1:00 h cada, entre 03/10/2011 e 03/11/2011.


O tratamento fisioterapêutico de escolha foi a cinesioterapia, visando principalmente o aumento da ADM e da força muscular dos MMII; a diminuição da intensidade da dor nos joelhos; a melhora da marcha; e o aumento da independência nas atividades de vida diária (AVD's), na época, limitadas pela dor. Para que a cinesioterapia fosse realizada sem provocar dor, a TENS foi usada previamente nos joelhos da paciente, de início por 30 minutos, no modo baixa frequência.


As condutas escolhidas foram alongamentos passivos, de baixa intensidade, com duração de um minuto em cada postura, nos quadris (em flexão, extensão, abdução, adução, rotações interna e externa), nos tornozelos (em flexão plantar e dorsoflexão), e nos pés (alongamento da aponeurose plantar e dos dedos, em extensão); e exercícios ativos livres e resistidos manuais, de contração isotônica concêntrica, realizados nos mesmo planos de movimento dos alongamentos de quadril e tornozelo, inicialmente em uma única série de 10 repetições. A partir da sexta sessão, somou-se ao tratamento exercício com bola suíça, visando aumentar a propriocepção e o equilíbrio.



Inicialmente, optou-se por não realizar exercícios específicos para a articulação do joelho, devido à fragilidade e debilidade apresentadas pela paciente nesse aspecto, evitando-se, assim, possíveis lesões iatrogênicas. A intervenção nos joelhos se deu de forma indireta, fazendo-se uso da musculatura biarticular dos MMII (reto femoral, isquiotibiais, grácil, tensor da fáscia lata/trato iliotibial, plantar e gastrocnêmio).


CONCLUSÃO


Através deste relato de caso, concluímos que a intervenção fisioterapêutica se mostra útil para os pacientes com OA de joelho, já que a melhora do quadro funcional da paciente em questão foi bastante evidente, já nas primeiras cinco sessões. Apesar dos resultados satisfatórios obtidos neste estudo, sugere-se a continuidade do mesmo abrangendo uma amostra mais ampla.

Autores: Ana Cristina Maia Chaves, Bruno Dessoles Marques e Cinthya Gabrielle Conserva Alves. Veja o Artigo na Íntegra: 
     http://veredas.favip.edu.br/ojs/index.php/veredas1/article/viewFile/22/179

Referências:


Chaves, A.C.M., et al. (2011). Intervenção fisioterapêutica na osteoartrite de joelho: um relato de caso. Revista Eletrônica de Ciências, 4 (2).

Todos os Direitos Reservados à VEREDAS FAVIP - Revista Eletrônica de Ciências - v. 4, n. 2 - julho a dezembro de 2011. 

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