FRATURA DE QUADRIL E A FISIOTERAPIA

Foto: central da fisioterapia

Estrutura óssea:
–Ílio, ísquio e púbis, unindo-se anteriormente na sínfise púbica e posteriormente com o sacro, formando a pelve;

–A cabeça convexa do fêmur articula-se com a convexidade do acetábulo para formar uma articulação sinovial multiaxial do tipo esferóide, em bolo e soquete. 


Funções: movimento (participa das articulações com o sacro e o fêmur), defesa (protege os órgãos pélvicos) e de sustentação (transmite aos membros inferiores o peso de todos os segmentos do corpo situados acima dele).

Principais músculos:
Gastrocnêmio, Semitendinoso, Semimembranáceo, Bíceps Femoral, Quadríceps, Psoas Maior, Ilíaco, Tensor da Fáscia Lata, Piriforme, Quadrado Femoral, Obturador Interno, Obturador Externo, Gêmeo Superior, Gêmeo Inferior, Glúteo Mínimo, Glúteo Médio, Glúteo Máximo, Sartório, Pectíneo, Adutor Magno, Grácil, Adutor Curto e Adutor Longo. 

Vascularização:
–Artéria femoral profunda; 
–Artérias circunflexas femorais medial e lateral; 
–Artéria para a cabeça do fêmur.

Epidemiologia:
– Principalmente indivíduos com mais de 60 anos, mas muito comum em traumas;
– Mulheres e homens; 

No Brasil: pessoas acima de 60 anos em Marília/SP, em 1995 foi de 50,03/10 mil para o sexo feminino e de 18,73/10 mil para o sexo masculino. Em Sobral, entre os anos de 1996 a 2000, as taxas anuais para pessoas acima de 60 anos foram de 20,7/10 mil para mulheres e 8,9/10 mil para homens.

Etiologia:
–Alteração no equilíbrio à instabilidade na marcha (associado á interação de vários fatores ambientais e do próprio indivíduo) resulta em queda. 
– Osteoporose + acuidade visual diminuída + alteração de equilíbrio e dos reflexos + fraqueza muscular +doenças associadas como doenças neurológicas, cardiovasculares e deformidades osteomioarticulares = de fratura do quadril. 

Classificação:

Intracapsulares: compromete o suprimento vascular para a cabeça do fêmur que aumenta o risco de atraso na consolidação, de pseudo-artrose ou de osteonecrose da cabeça do fêmur. Local de fratura proximal a inserção da cápsula articular do quadril; 

Extracapsulares: Não interrompe o suprimento sanguíneo. Local de fratura distal a cápsula até uma linha 5 cm distal ao trocanter menor.

Tipos de fratura:
Fratura de colo de fêmur:
– Abaixo da face articular até logo acima da região intertrocantérica; 
– Pode interromper a irrigação sanguínea da cabeça do fêmur = necrose avascular; 

Classificação:
• Pauwel: O tipo I é uma fratura a 30º com a horizontal; o tipo II, a 50º; tipo III, a 70º. As fraturas tipo I são mais horizontais que o tipo III, que são quase verticais. 

• Garden: tipo Garden I é uma fratura incompleta ou impactada;. a tipo Garden II é uma fratura completa sem desvios; tipo Garden III é uma fratura completa com desvio parcial; e a tipo Garden IV é uma fratura completa com desvio total dos fragmentos de fratura.

Mecanismos de lesão: 

1º: queda produzindo um golpe direto sobre o trocanter maior; 

2º: rotação externa da extremidade. Neste, a cabeça é firmemente fixada pela cápsula anterior e ligamentos iliofemorais. Enquanto o colo roda posteriormente, a cortical posterior colide contra o acetábulo, e o colo dobra-se.

Fratura transtrocantérica do fêmur:
São extracapsulares. As fraturas situam-se entre os trocanter maior e menor. 

Classificação de Evans:
  • Grupo A1: são fraturas simples com uma única extensão para dentro do córtex medial; o córtex lateral do trocanter maior permanece intacto; 
  • Grupo A2: são multifragmentárias; 
  • Grupo A3: são aquelas com ambos os córtices medial e lateral fraturados
Fratura subtrocanteriana do fêmur:

As fraturas subtrocantéricas tem lugar na parte proximal da diáfise, abaixo do nível dos tracanteres menores. São divididas em: 

  • Grupo I: não comprometem a fossa piriforme, de modo que as técnicas de fixação intramedular são relativamente diretas; 
  • Grupo II: estendem-se proximalmente para dentro do trocânter maior e comprometem o local de entrada na fossa piriforme.
Fratura da diáfise do fêmur:

Classificação do grupo: 
  • Grupo A: são as simples, cujo traço é único; 
  • Grupo B: estão as fraturas com cunha; 
  • Grupo C: estão as fraturas complexas. 
São usualmente o resultado de grande trauma, como os acidentes de automóveis, motocicletas ou ferimentos a tiro.

Quadro clínico:
Dor na virilha ou na região do quadril ou dor com a movimentação ativa ou passiva do quadril ou ao apoiar o peso do membro inferior. Esse membro parece estar mais curto e assume a posição de rotação externa. 

Diagnóstico:
  • Radiográficas de frente, (ântero-posterior) e obliquas em abdução (posição de rã). 
  • A tomografia computadorizada (TC). 
  • A ressonância magnética (RM).
Tratamento Cirúrgico:
  • O objetivo geral: é que o paciente volte ao nível de função anterior a lesão de forma mais rápida e segura possível. 
  • Necessária fixação interna, substituição da cabeça do fêmur ou substituição total do quadril. 
  • Nas fraturas de colo do fêmur: artroplastias de substituição.
  • Nas fraturas de colo do fêmur: artroplastias de substituição. 
  • A artroplastia parcial: componente femoral é colocado preservando-se o acetábulo; 
  • A artroplastia total: substituição ou troca da articulação do quadril. Consiste em um componente femoral metálico articulado com um componente acetabular plástico. 
Os tipos de prótese utilizadas: 

  • Prótese cimentada: usa cimento ósseo para fixar o componente acetabular na bacia e a parte femoral no fêmur. 
  • Prótese não-cimentada: É aquela em que o acetábulo e componente femoral são fixados diretamente na superfície óssea, sem a utilização de cimento. 
  • Prótese híbrida: O componente acetabular é fixado à bacia através de parafusos, sendo o componente femoral fixado com cimento ao fêmur. 
As fraturas transtrocanterianas: são tratadas por fixação interna com parafusos ou peças com placas que transfixam a fratura. 

  • Placas de ângulo fixo: não permitem a impactação e a reacomodação dos fragmentos sem que haja penetração na cabeça 
  • Placas-tubo com parafuso deslizante: permitem que os fragmentos encontrem estabilidade pela impactação; 
  • Hastes intramedulares: as hastes flexíveis de Ender apresentam a grande vantagem de estabilizar a fratura sem a abertura do foco; 
  • Endopróteses parciais: implantes com cabeça intercambiável e haste cimentada.
Tratamento Fisioterápico:
  • Deve iniciar no primeiro dia pós-operatório; 
  • O objetivo principal do tratamento pós-operatório é primeiro posicionar o paciente em pé e em movimento o mais rápido possível e então retorná-lo ao nível de função anterior ao da lesão;
  • É a proteção das estruturas que estão cicatrizando na articulação do quadril. 
Programa de tratamento a ser realizados primeiro no pós-operatório é: 

  • Exercícios de higiene pulmonar para minimizar complicações pulmonares, com exercícios de reexpansão pulmonar, respiração profunda e tosse; 
  • Exercícios ativos de dorsiflexão e plantiflexão de tornozelo, auxiliando o retorno venoso, prevenção edema e mantendo a amplitude de movimento; 
  • Mobilização patelar;
  • Exercícios de contração isométrica para o quadríceps; 

No membro não operado, exercícios isométricos, de baixa intensidade, indolores e contra resistência leve.

O uso de crioterapia - 10 a 15 minutos, a cada duas horas- sobre o local de incisão cirúrgica, a fim de amenizar os efeitos do processo inflamatório e prevenir o efeito da dor pós operatória;

Trabalhar estímulos proprioceptivos com bolinhas e objetos de textura diferente; 

Exercícios para membros superiores; 

  • Apoios para o calcanhar, usados para prevenir pressão contra o leito; 
  • Treinamento de transferência com segurança de supino para a posição sentada e, então, de sentado para a posição em pé; 
  • Sentar por curtos períodos na beira da cama ou em uma poltrona com assento elevado, com os quadris em não mais que 45º de flexão e levemente abduzidos;
  • Treinamento da marcha, se o paciente não apresentar dor excessiva, fadiga ou tontura; 
  • Reposicionar o paciente a cada 2 horas com um travesseiro abdutor, apoios para os pés para evitar a rotação medial de quadril e prevenir dores nos calcanhares. 
Em artroplastias não-cimentada: o apoio parcial do membro operado pode ser iniciado em duas semanas e o apoio total em até 10 semanas. 

Nas cimentadas o apoio parcial inicia-se no terceiro dia e o apoio total em até 4 semanas, pode haver exceções, mas elas serão expostas pelo cirurgião. 

Na fase ambulatorial: objetivo aumentar a independência do paciente com a marcha e transferências, prevenção de quedas e de complicações, melhorar a força na extremidade inferior, avaliar a segurança da casa, planejar o retorno do paciente para o trabalho ou atividades prévia.

Os exercícios devem progredir, quanto à intensidade a cada dia, ate que o paciente possa movimentar e controlar o membro de modo independente. A restauração da força do abdutor de quadril e do extensor de joelho é fundamental para a função deambulatória depois da fratura de quadril e deve receber atenção especial.

Postar um comentário

Copyright © OLHAR FISIO. Designed by OddThemes