RUPTURA PARCIAL DO LCA - RELATO



A lesão do ligamento cruzado anterior (LCA) continua a ser um grande desafio aos profissionais que lidam com esse tipo de patologia.

Diagnóstico precoce, avaliação e tratamento são constantemente discutidos na literatura, sem que se observe concordância entre os autores, principalmente no que se relaciona à interpretação e prognóstico dessas lesões.

A pesquisa de esclarecimentos a essas divergências incentivou-me a estudar, e neste capítulo ajudou me a um melhor conhecimento de lesões no LCA, principalmente a lesão definida como parcial, pouco abordada na literatura, com interpretações e resultados conflituosos.

É óbvio, que muitas das lesões ligamentares em atletas profissionais, são na realidade de extrema gravidade. Mas como já referi em textos anteriores, não podemos olhar para cada uma delas de forma igual, ou seja: encarar como mais uma lesão e dar a tal receita de “bolo”.

Em muitas situações de roturas parciais do LCA, tenho observado muitos especialistas na área da saúde relatarem como única solução e sem qualquer tipo de hesitação a cirurgia como única alternativa. (nem todos os casos devem ser direcionados para essa “única saída”)

O que eu discordo por completo, e acho que não tem mal nenhum tentarmos evoluir um pouco mais na medicina desportiva.

Relato isto com exemplos práticos. Quando um atleta veio ao meu encontro, fazendo se acompanhar de exames médicos (RM), e apresentava algum desespero. Pois tinha sido observado por um profissional da saúde, que vendo os mesmos exames que eu vinha a observar mais tarde, o médico tinha lhe dito sem qualquer dúvida que ele teria de ser submetido a uma intervenção cirúrgica. (o que implica sem duvida uma longa paragem para o atleta). Quando eu vi os mesmos exames, realizei alguns testes, falei com o atleta e propus lhe um protocolo de tratamento de 8 semanas (com a ajuda da MESOTERAPIA). O atleta aceitou de imediato o protocolo que lhe propus, e avançamos para o trabalho. Ao fim da 7ª semana, o atleta foi aconselhado a realizar um novo exame a fim de observar o processo evolutivo da recuperação. 

O resultado da 2ª RM, foi o oposto da 1ª, enquanto no primeiro exame vinha declarado uma rotura parcial do LCA, na segunda não era mencionado qualquer lesão no LCA, aqui o mérito também vai para o atleta que assimilou muito bem o protocolo traçado. (o protocolo consistiu basicamente na administração de fármacos que aceleram o processo de cicatrização dos tecidos).

Este meu relato deve se simplesmente ao fato de: não vamos submeter o corpo a uma intervenção cirúrgica por tudo e por nada. Para tudo é preciso crescer e evoluir, e o bom profissional, é aquele que tem o pleno conhecimento das suas limitações(não há ninguém que não as tenha!). Digo isto com alguma tristeza, porque tenho observado muitos atletas sujeitos a diagnósticos e tratamentos menos próprios para as suas patologias, nos seus próprios clubes.

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