CUFFOMETRIA

O paciente admitido na unidade de terapia intensiva, geralmente encontra-se com suporte ventilatório invasivo, sendo necessária a utilização de um ventilador mecânico e uma prótese traqueal que interligue o paciente ao ventilador. (1,2,6)Existem alguns tipos de próteses traqueais, como a endotraqueal (tubos orotraqueais) e a cânula de traqueostomia, que apresentam na sua estrutura, distalmente, umbalonete (cuff), onde sua mensuração regular, tem por função selar a via aérea, “fixando” a prótese, evitando fuga aérea de ar, possíveis broncoaspirações, lesões de cordas vocais, estenose, traqueomalácia, isquemia e necrose tecidual. (4,5,6)



Pacientes que apresentam maior dificuldade de desmame do ventilador e tem um maior tempo de permanência hospitalar, são candidatos a alterações na mucosa traqueal devido à intubação prolongada. É de importância incontestável a verificação das pressões intracuff de todos os pacientes submetidos a próteses traqueais, evitando assim complicações maiores à região traqueal. (1,3,6,9)



O balonete deve ser insuflado com uma pressão adequada, em torno de 20 a 34cmH2O (15-25 mmHg).(10) Pressões superiores a 34 cmH2O podem causar uma compressão na mucosa traqueal gerando lesões, como a estenose traqueal, granulomas, traqueomalácia, entre outras, inferiores a 20 cmH2O podem levar ao escape de ar e facilitar a broncoaspiraçãode conteúdo de vias aéreas superiores e/ou gástrico, favorecendo ao aparecimento de patologias associadas. (4,6,9)A pressão de perfusão capilar da traqueia encontra-se entre 25-35 mmHg, pressões do cuff acima de 34 cmH2O (25 mmHg) é o máximo aceitável, pois a pressão que é exercida pelo balonete, na traqueia, é superior a sua pressão interna. (10,11)


a.Cuffinsuflado com pressão adequada
b. Pressão inferior a ideal
c. Pressão superior a ideal

A mensuração do cuffé realizada através do cuffômetro, aparelho específico que é acoplado ao balonete externo da prótese, com auxílio, ou não, de um estetoscópio que pode ser posicionado na região anterolateral do pescoço, na qual a pressão de “selo” justa-traqueal pode ser ajustada através da ausculta.(9)Essa verificação, na prática, não está sendo feita, o que desfavorece os pacientes. Quando é verificada empiricamente, o profissional apenas palpa o cuff externo, o que não permite uma mensuração fidedigna. (3,6)A utilização desses dois métodos, citados anteriormente, permite mensurar o vedamento ideal do balonete evitando danos ao paciente. A verificação da pressão intracuff deve ser realizada, pelo menos, três vezes ao dia, para prevenir lesões isquêmicas e estenose traqueal. (11)




Para se mensurar a pressão intracuff, o profissional deve acoplar o balonete externo (piloto), presente na prótese traqueal, ao conector lateral do cuffômetro, posteriormente observar, no manômetro, a pressão do balonete, caso esteja menor do que 20 cmH2O, deve-se elevar a pressão apertando a região emborrachada, na parte inferior, do aparelho, se estiver maior que 34 cmH2O, aperta-se então a válvula de alívio, até atingir a pressão desejada. (Fig. 4 e 5).

É importante também, verificar sempre a pressão intracuff após mudança de angulação da cabeceira do leito. Estudos comprovaram que essa mudança altera a pressão que veda o balonete, consequentemente com essa despressurização, a ventilação pode se tornar inadequada, além de favorecer ao aumento da incidência de infecções respiratórias por broncoaspiração. (6,7,8,9)Acredita-se ainda que vários outros fatores promovam variações de pressão intracuff, como mudanças no tônus da musculatura da traquéia, hipotermia, hipertermia e a difusão de gás anestético para dentro do balonete das próteses. (10)

Na ausência de um cufômetro, pode ser produzido artesanalmente, um aparelho semelhante e de custo bastante inferior, com materiais de fácil acesso. Para calibrar a pressão intracuffcom esses materiais, o profissional retira o manguito de látex do esfigmomanômetro de coluna de mercúrio e pode adequar em seu lugar um pedaço da sonda de aspiração, a qual está conectada à torneira de três vias que também está ligada à seringa de 5mL; o outro ramo da torneira de três vias ajusta-se ao balonete-piloto do tubo endotraqueal do paciente. Dessa forma ao se manipular a seringa o profissional pode calibrar a pressão intracuffno valor desejável.(2) Observar que os valores mensurados serão em mmHg, e não em cmH2O como no cufômetro convencional, sendo assim os valores adequados estariam entre 15-25 mmHg.



(A) seringa de 5mL; 
(B) torneira de três vias; 
(C) 5cm de sonda de aspiração n.14; 
(D) conexão para o esfigmomanômetrode coluna de mercúrio; 
(E) balonete-piloto do tubo endotraqueal e 
(F) manômetro de mercúrio do esfigmomanômetro.

A cuffometria é um procedimento simples, necessário e indispensável, que deve ser realizado pelo menos três vezes ao dia, diariamente, para manutenção da região traqueal, evitando assim lesões recorrentes da utilização das próteses traqueais. Sem esquecer-se de mensura-la após alteração de posicionamento e angulações da cabeceira do leito.

Resenha elaborada por Nádia Gomes B. dos Santos
Postado por Daniel Xavier
Via: http://sobratimanaus.blogspot.com.br

Referências Bibliográficas

1. BRAS JR et al. Endotracheal tube cuffpressure: need for precise mensuremnet, Medicine Journal, v. 117, p. 243-247, 1999.

2. GODOY ACR, VIEIRA RJ. Pressões intracuff: Método econômico para calibragem. Rev. Ciênc. Méd., Campinas, 15(3):267-269, 2006.

3. PENITENTI RM et al. Controle da pressão do cuff na unidade de terapia intensiva: Efeitos do treinamento.RevBras Ter Intensiva. 22(2):192-195, 2010.

4. ARANHA AGA. Estudo das pressões no interior do balonetes dos tubos traqueais. Revista Brasileira de Anestesiologia, v.. 52, n. 6, 2003.

5. JULIANO SRR et al. Medidas dos níveis de pressão do balonete em UTI: Considerações sobre os benefícios do treinamento. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, v.19, p. 317-321, 2007.

6. ONO FC et al. Análise das pressões de balonetes em diferentes angulações da aabeceira do leito dos pacientes internados em unidade de terapia intensiva. RevBras Ter Intensiva. 20(3):220-225, 2008.

7. TORRES A et al. Pulmonaryaspirationofgastriccontentes in patientsreceivingmechanicalventilation: theeffectofbody position. Ann Intern Med. 116(7):540-3, 1992.

8. MEDALHA S, OLIVEIRA LC, GODOY I. Avaliacao da pressão no balonete das cânulas endotraqueais e de traqueostomiaem pacientes na unidade de terapia intensiva. RevBras TerIntensiva. 11(3):90-3, 1999.

9. CAMARGO MF, ANDRADE APA, CARDOSO FP, Melo MHO.Analise das pressões intracuff em pacientes em terapia intensiva.RevAssocMedBras (1992). 52(6):405-8, 2006.

10. III Consenso Brasileiro de Ventilação Mecânica. J Pneumo. 33 (supl2): S 142-S 150, 2007.

11. GODOY ACR, VIEIRA RJ, DE CAPITANI EM. Alteração da pressão Intra-Cuff Endotraqueal após Mudança da Posição em Pacientes sobre Ventilação Mecânica. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 34, p. 294-297, 2008.


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